IA na Saúde: a nova infraestrutura estratégica do bem-estar
A inteligência artificial está entrando em uma nova fase. Já não estamos falando de projetos-piloto ou experimentos: hoje, a IA está redefinindo a forma como hospitais, seguradoras, governos e profissionais da saúde tomam decisões, gerenciam recursos e ampliam o acesso aos serviços de saúde.
A conversa deixou de girar em torno do potencial. Agora, ela gira em torno dos resultados.
Segundo o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, “a IA já está desempenhando um papel no diagnóstico, no atendimento clínico, no desenvolvimento de medicamentos, na vigilância epidemiológica e na gestão dos sistemas de saúde”. A pergunta já não é se a IA transformará o setor, mas se os sistemas de saúde estão preparados para aproveitá-la de forma responsável.
O verdadeiro gargalo: preparação legal e regulatória
E os dados mostram que a preparação é o verdadeiro gargalo. Uma pesquisa da OMS realizada em 50 países (2024–2025) revelou que 86% dos países apontam a incerteza jurídica como sua principal barreira para a adoção da IA na saúde, e que menos de 10% contam com padrões claros de responsabilização para sistemas de IA médica.
América Latina e Colômbia: lacunas e oportunidades em saúde digital
Na América Latina, o desafio é ainda maior. A região enfrenta pressões crescentes sobre a infraestrutura hospitalar, acesso desigual a especialistas e altos custos operacionais. E a exclusão digital torna o cenário ainda mais complexo.
Na Colômbia, o estudo “IA: a lacuna da preparação”, da CINTEL, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias da Informação e das Comunicações, confirma isso com números contundentes: embora 45% das empresas estejam dispostas a adotar novas tecnologias, apenas 32% utilizam a inteligência artificial de forma ativa. Além disso, as organizações com maior integração tecnológica têm 4,5 vezes mais probabilidade de implementar a IA com sucesso.
Isso abre uma discussão urgente sobre equidade. O Fórum Econômico Mundial destaca que a maior oportunidade da IA na saúde está justamente nos mercados emergentes: as regiões que hoje enfrentam as maiores barreiras de acesso médico são aquelas que mais podem ganhar quando a tecnologia é desenvolvida considerando suas realidades.
Liberar o verdadeiro potencial da IA na saúde exige mais do que ferramentas digitais; exige sistemas capazes de se comunicar entre si e compartilhar informações de forma segura, marcos regulatórios responsáveis e talentos capazes de integrar tecnologia com critério clínico. A confiança digital torna-se, assim, um componente estratégico, e não opcional: proteger as informações dos pacientes e garantir o uso ético dos algoritmos será determinante para construir sistemas de saúde mais inteligentes e sustentáveis.
Esses são exatamente os desafios que a ANDICOM 2026, o principal congresso de tecnologia e inteligência artificial da América Latina, colocará em pauta. Porque o impacto real da IA não é medido apenas pela eficiência empresarial: ele é medido pela forma como transforma setores inteiros, melhora vidas e define a competitividade de uma região. Sob o conceito “Unleashing the Power of AI”, a ANDICOM reunirá líderes empresariais, especialistas em tecnologia, setor público e ecossistema digital para analisar como liberar o verdadeiro poder da IA diante dos grandes desafios da nossa sociedade.
Sua organização está preparada para essa conversa?