IA no setor de TIC: liderar a transformação ou apenas acompanhá-la
Há algo paradoxal na relação entre o setor de TIC e a inteligência artificial: as empresas que desenvolvem, distribuem e operam as ferramentas de IA são as primeiras que precisam se reinventar.
Como destaca a CINTEL, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias da Informação e das Comunicações, a discussão já não gira em torno de adotar ou não a IA, mas de como integrá-la de forma estrutural e sustentável às operações e aos processos de tomada de decisão. Trata-se de passar de oferecer software para oferecer inteligência, e de gerenciar projetos para gerenciar decisões orientadas por dados. O diferencial competitivo não estará no acesso à tecnologia, mas na capacidade de conectá-la à estratégia do negócio.
A América Latina consome IA, mas ainda não a produz nem a financia
A urgência é real. Segundo o Índice Latino-Americano de Inteligência Artificial (ILIA 2025), da CEPAL, a América Latina já representa 14% das visitas globais a soluções de IA, acima de sua participação entre os usuários de internet. No entanto, a região responde por 6,6% do PIB mundial e por apenas 1,12% dos investimentos globais em IA. A média regional está seis vezes abaixo do patamar mundial. A região consome IA; ainda não a produz nem a financia no nível que sua economia exigiria.
Colômbia: talento, liderança e maturidade interna são os verdadeiros gargalos
Na Colômbia, a lacuna interna é igualmente evidente. O estudo da CINTEL, “IA: a lacuna da preparação”, revela que, embora 45% das empresas tenham interesse em adotar novas tecnologias, apenas 32% utilizam a IA de forma ativa. O obstáculo não é o acesso às ferramentas, mas a falta de talento, liderança e maturidade interna para integrá-las adequadamente.
Há um fator adicional que as empresas de TIC não podem ignorar: um cliente que contrata uma solução de IA atualmente não avalia apenas se ela funciona; avalia se pode confiar na forma como as decisões são tomadas e quem será responsável caso algo dê errado. As empresas de TIC que tiverem respostas claras para essas questões conquistarão contratos; aquelas que não tiverem perderão oportunidades antes mesmo de chegar à etapa de apresentação de uma proposta.
A oportunidade está aberta agora. As empresas de TIC que desenvolverem capacidades sólidas em IA — não apenas as que a utilizam, mas as que a compreendem, a governam e a integram com critério — não estarão seguindo uma tendência. Estarão definindo essa tendência.
E essa é precisamente a discussão que a ANDICOM 2026, o principal congresso de tecnologia e inteligência artificial da América Latina, busca impulsionar. Sob o conceito “Unleashing the Power of AI”, o congresso reunirá líderes do ecossistema digital para analisar como liberar o verdadeiro poder da IA em setores inteiros e na sociedade como um todo.
Sua organização já faz parte dessa conversa?