Colômbia diante de uma lacuna crítica em inteligência artificial: os cidadãos avançam mais rápido do que as empresas

Colômbia diante de uma lacuna crítica em inteligência artificial: os cidadãos avançam mais rápido do que as empresas

25 jun 2026

A ANDICOM 2026 colocará em pauta a lacuna que começa a impactar a competitividade digital do país.

Bogotá, maio de 2026. A adoção da inteligência artificial na Colômbia avança em duas velocidades. Enquanto os cidadãos incorporam essa tecnologia de forma acelerada em seu cotidiano, uma parcela significativa do tecido empresarial permanece aquém, configurando uma lacuna que começa a impactar a competitividade do país.

Recentemente, o CINTEL, Centro de Inovação, Produtividade e Desenvolvimento Tecnológico, realizou o estudo Perfil do Consumidor Digital, que analisa os hábitos de acesso e uso da Internet, bem como a adoção de inteligência artificial na Colômbia. Entre suas descobertas, o relatório revela que 48% dos colombianos entrevistados já utilizam ferramentas de IA em atividades acadêmicas e profissionais, evidenciando uma rápida apropriação dessa tecnologia.

Em paralelo, o estudo IA: A Lacuna da Preparação, focado em analisar a adoção de inteligência artificial nas MPMEs colombianas e também realizado pelo CINTEL, evidencia que 40% das micro, pequenas e médias empresas não têm planos de incorporar essa tecnologia no curto ou médio prazo, refletindo um atraso estrutural no setor produtivo.

Longe de ser um problema de interesse, a lacuna decorre de limitações de capacidade. 45% dos empresários desejam inovar com inteligência artificial, mas apenas 32% conseguiram implementá-la, principalmente devido a barreiras em infraestrutura, talento e maturidade digital. Essa defasagem se aprofunda ainda mais ao observar que apenas 9% das empresas — os “pioneiros digitais” — estão capitalizando a IA até cinco vezes mais rápido do que a média nacional, consolidando vantagens competitivas difíceis de superar no curto prazo.

Nesse contexto, a ANDICOM 2026, o congresso mais importante do ecossistema digital na América Latina, se configura como o principal cenário para abordar esse desafio sob uma perspectiva estratégica. O evento, que será realizado de 1º a 4 de setembro em Cartagena e é organizado pelo CINTEL, terá a inteligência artificial como eixo central sob o lema “Unleashing the Power of AI”, com o objetivo de traduzir seu potencial em resultados concretos para a economia.

“Hoje estamos vendo uma desconexão crítica: os cidadãos já estão incorporando a inteligência artificial em seu cotidiano, mas muitas empresas ainda não têm as capacidades para fazê-lo. A conversa não é mais se a IA vai transformar a economia, mas o quão preparados estamos para capturar esse valor”, afirma Manuel Martínez.

“A ANDICOM 2026 é o espaço onde essa lacuna se transforma em uma agenda de ação. Fechar essa distância exige decisões coordenadas em política pública, infraestrutura, talento e confiança digital”, assinalou Mario Castaño, Diretor Técnico do CINTEL.

No entanto, o desafio não é exclusivamente empresarial. Segundo o estudo Perfil do Consumidor Digital, do lado dos usuários, a adoção também vem acompanhada de tensões. 44% dos colombianos temem que a inteligência artificial impacte seu emprego no futuro, o que evidencia a necessidade de avançar em direção a uma transformação tecnológica que integre confiança, formação e adaptação do talento.

Esse cenário reforça a importância de abordar a inteligência artificial a partir de uma visão abrangente, que não apenas impulsione sua adoção, mas também garanta seu uso responsável e sustentável.

Nessa linha, a ANDICOM 2026 articulará sua agenda em torno de quatro dimensões-chave: política pública e regulação, cibersegurança e confiança digital, conectividade e infraestrutura, e desenvolvimento de talento humano especializado.

Além disso, o congresso contará com a União Europeia como convidada de honra, reforçando o enfoque em uma adoção da inteligência artificial alinhada aos padrões internacionais de desenvolvimento responsável.