IA e talento: a alavanca que define a região
Em toda análise sobre inteligência artificial há um ponto que se repete: a tecnologia avança rápido, e o que separa os países que a lideram daqueles que apenas a adotam não é o acesso às ferramentas, mas o talento capaz de aproveitá-las com critério. Para a América Latina, é aí que está sua maior oportunidade.
O foco deixou de ser qual tecnologia comprar e passou a uma pergunta mais estratégica: quais capacidades formar, e em que velocidade. A relação entre IA e talento tornou-se o verdadeiro fator competitivo.
40% das habilidades vão mudar em cinco anos
O Fórum Econômico Mundial, em seu Future of Jobs Report 2025, quantifica: cerca de 40% das habilidades exigidas pelo mercado de trabalho vão mudar nos próximos cinco anos. O pensamento analítico continua sendo a competência central mais valorizada pelos empregadores consultados: sete em cada dez a consideram essencial. Esse resultado mostra que a adoção de IA não reduz a importância do critério humano, mas pode aumentar seu valor.
O desafio regional é estrutural. A UNESCO, que em abril de 2026 lançou a partir da CEPAL seu Observatório de IA na Educação para a América Latina e o Caribe, alerta que a região enfrenta ao mesmo tempo uma crise de aprendizagens e uma adoção tecnológica acelerada. A mensagem é clara: a IA deve ajudar a fechar as lacunas, não a ampliá-las, e isso só ocorre se forem construídas primeiro as aprendizagens fundamentais sobre as quais se ergue o talento da era digital.
O modelo europeu e a adoção na Colômbia
Vale observar o modelo que a Convidada de Honra traz ao ANDICOM. A União Europeia transformou a alfabetização em IA em uma exigência regulatória. O artigo 4 do AI Act estabelece que os fornecedores e responsáveis pela implantação de sistemas de IA devem adotar medidas para assegurar um nível suficiente de alfabetização entre seu pessoal e as demais pessoas que operem ou utilizem esses sistemas em seu nome. O nível exigido deve considerar os conhecimentos, a experiência, a formação e o contexto específico em que a tecnologia é utilizada. Não é apenas um detalhe técnico: reflete uma decisão regulatória que reconhece as competências humanas como condição para utilizar a IA de maneira responsável.
Na Colômbia, os dados do CINTEL, o Centro de Inovação, Produtividade e Desenvolvimento Tecnológico, mostram uma região que aprende mais rápido do que suas instituições conseguem acompanhar. Segundo seu estudo Perfil do Consumidor Digital 2025, cerca de 25% dos estudantes pesquisados já usam ferramentas de IA generativa toda semana, e 48% dos usuários de internet já usaram IA, principalmente para estudo e trabalho. A adoção já está acontecendo de baixo para cima; a pergunta é se a formação formal vai acompanhá-la com critério.
As capacidades que vão definir a liderança regional
Liberar o potencial da IA na educação e no desenvolvimento do talento não consiste simplesmente em incorporar mais dispositivos ou aplicativos nas salas de aula. Exige fortalecer as aprendizagens fundamentais, o pensamento analítico e crítico, o critério ético, a alfabetização de dados e a capacidade de trabalhar de maneira responsável com essas tecnologias. Esse é o fator que decidirá quais países lideram a economia da IA e quais permanecem no papel de simples usuários. A boa notícia é que esse é um terreno em que a região ainda está a tempo de construir vantagem.
Esse é justamente o diálogo estratégico que o ANDICOM 2026, o principal congresso de tecnologia e inteligência artificial da América Latina, coloca em pauta. Sob a temática Unleashing the Power of AI, o congresso reunirá, de 1º a 4 de setembro de 2026, em Cartagena das Índias, líderes empresariais, academia, setor público e ecossistema digital para analisar como liberar o potencial da IA na formação de capacidades e transformar o talento na verdadeira vantagem competitiva da região.
Sua organização está formando o talento que a era da IA vai exigir?
Convidamos você a conhecer a agenda acadêmica aqui.
Fontes
- World Economic Forum – Future of Jobs Report 2025
- UNESCO – Observatório de IA na Educação para a América Latina e o Caribe (2026)
- UNESCO – AI and the Future of Education: Disruptions, Dilemmas and Directions (2025)
- CINTEL – Perfil do Consumidor Digital 2025
- ANDICOM 2026 – Agenda Acadêmica